CONCLUSÃO DO GRUPO CONSENSO SOBRE O TEMA VAIDADE
O trabalho de pesquisa e de elaboração
deste blog contribuiu de forma significativa para a percepção do grupo sobre a
vaidade, suas nuances e a polêmica que ela provoca, tendo em vista as várias
formas de vê-la e de senti-la.
O desejo constante de atrair não só a
atenção do outro, como também sua aprovação, origina-se tanto de uma
preocupação excessiva com a aparência física como no campo intelectual. O
conceito de vaidade apresenta-se de formas variadas, sendo representado através
da vaidade física ( cuidado com o próprio corpo, preocupação com sua exibição e
com a aceitação do corpo pelo outro), vaidade intelectual ( utilização do saber
como forma de demonstrar o poder e da falsa
modéstia, camuflando a verdadeira vaidade dentro de uma suposta humildade). Ela
se manifesta também na forma de andar, de olhar, de falar, de gesticular, de
pensar.
Além disso, percebeu-se a diferença entre
vaidade (relacionada à aceitação do outro) e
autoestima ( sentimento interno de satisfação com a própria aparência e
comportamento), conceitos comumente utilizados como sinônimos, mas que ocorrem
de forma equivocada.
A vaidade está presente no indivíduo em
todas as faixas etárias. Jovens e adultos, velhos e crianças, todos têm a
vaidade dentro de si e isso se manifesta de uma forma ou de outra, em maior ou
menor grau. Todos veem na vaidade uma forma de alcançar alegria e ânimo para
viver. Os idosos, por exemplo, hoje estão vivendo mais e melhor, e a vaidade é
responsável por isso de forma relevante. Eles se cuidam mais, se preocupam mais
com sua aparência, não veem a idade como empecilho para ser feliz, para amar,
para admirar e ser admirado.
A vaidade é a exacerbação de uma
necessidade natural que surge da interação com as outras pessoas, cujo convívio
social será aprimorado ou desestabilizado pelo julgamento alheio. Ao considerar
esse fator como condicionante para a verdadeira felicidade, o indivíduo
extrapola a modulação do seu comportamento e passa a ser escravo dos olhares,
das impressões e das verdades impostas pela sociedade.
Ela pode trazer danos irreparáveis ao ser
humano, ao extrapolar barreiras físicas e psicológicas, delimitando seu
comportamento e determinando seu senso de felicidade. A partir daí, a vaidade
perde seu sentido original e transforma o homem em mero espectador de sua
própria vaidade, não usufruindo dela de forma sadia.
O homem vê na vaidade uma forma de
alcançar o poder e a aceitação do outro, e isso é estimulado pela mídia, que
sem escrúpulos exige que o homem se comporte de uma forma nem sempre agradável
para ele, mas que lhe é importa, incutindo-lhe a ideia de que só assim ele
alcançará o sucesso profissional e a aceitação da sociedade em geral. E quem
não a possui, estará fadado ao anonimato, justificando, assim, sua grande
importância nos dias atuais.
Esforços quase sobre-humanos são
realizados para mantê-la, em nome da valorização pessoal e do bom
relacionamento social. O consumismo exagerado está intimamente ligado à vaidade
do homem. Seguem-se padrões universais de beleza, priorizados pela mídia e
pelos meios de comunicação em geral.
O setor de beleza e de higiene no Brasil
cresceu assustadoramente nos últimos anos, movimentando a economia de forma
significativa, criando novas profissões especializadas para atender ao mundo da
beleza. Ampliou-se o mercado consumidor de produtos de beleza para atender
também aos homens, às crianças e aos idosos.
A vaidade, atualmente, não é mais
restrita ao mundo feminino. Há homens tão ou mais vaidosos que as mulheres. O
medo do envelhecimento que afeta homens e mulheres pode justificar esse culto
excessivo à vaidade. Com ao comportamento das crianças, é preciso atenção
especial quando a vaidade infantil e considerada exagerada, o que pode provocar
danos tanto físicos (cosméticos que causam danos à pele infantil, por exemplo)
quanto psicológicos (supervalorização da beleza em tenra idade). Tudo isso,
aliado à aprovação alheia, torna-se suscetível de acarretar problemas ainda
mais complexos.
Ainda não se conhecem todos os efeitos da
vaidade no ser humano, mas é certo que ela provoca inúmeras doenças, como bulimia,
anorexia e vigorexia. Essas doenças provocam o afastamento e o isolamento das
pessoas devido ao desejo extremo de atingir um ideal de beleza construído
internamente.
Os adolescentes são os que mais sofrem
com o efeito da vaidade, na busca pela imagem de alguém que eles não são nem
jamais serão. A evidente importância do culto ao corpo e à estética contribuem
para que os adolescentes se transformem em seres extremamente consumistas. A
autonomia cede lugar à alienação, alimentada pela mídia, que os influencia de
forma tendenciosa e manipuladora. Eles perdem o senso crítico, político e
social, tornando-se as maiores vítimas da doença do consumismo exagerado
(oneomania).
Embora existam inúmeros efeitos negativos
no que diz respeito à vaidade excessiva, quando ela se apresenta em níveis
aceitáveis, pode causar alguns benefícios ao ser humano, aumentando sua autoestima,
sua beleza interna e externa, e consequentemente sua saúde física e mental. Sabendo-se
que ela sempre fará parte do indivíduo e sempre se manifestará de alguma forma
em algum momento da vida, faz-se necessário que sua existência esteja cercada de
certos limites, para que ela não domine o homem, e o torne um ser movido por
suas próprias ideias e não pelas ideias ou percepções do outro.
( Regina Cláudia, Juliana, Denise e Patrícia Amoretty )
( Regina Cláudia, Juliana, Denise e Patrícia Amoretty )
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