quarta-feira, 19 de setembro de 2012


CONCLUSÃO DO GRUPO CONSENSO SOBRE O TEMA VAIDADE

 

      O trabalho de pesquisa e de elaboração deste blog contribuiu de forma significativa para a percepção do grupo sobre a vaidade, suas nuances e a polêmica que ela provoca, tendo em vista as várias formas de vê-la e de senti-la.

      O desejo constante de atrair não só a atenção do outro, como também sua aprovação, origina-se tanto de uma preocupação excessiva com a aparência física como no campo intelectual. O conceito de vaidade apresenta-se de formas variadas, sendo representado através da vaidade física ( cuidado com o próprio corpo, preocupação com sua exibição e com a aceitação do corpo pelo outro), vaidade intelectual ( utilização do saber como forma de  demonstrar o poder e da falsa modéstia, camuflando a verdadeira vaidade dentro de uma suposta humildade). Ela se manifesta também na forma de andar, de olhar, de falar, de gesticular, de pensar.

      Além disso, percebeu-se a diferença entre vaidade (relacionada à aceitação do outro) e  autoestima ( sentimento interno de satisfação com a própria aparência e comportamento), conceitos comumente utilizados como sinônimos, mas que ocorrem de forma equivocada.

      A vaidade está presente no indivíduo em todas as faixas etárias. Jovens e adultos, velhos e crianças, todos têm a vaidade dentro de si e isso se manifesta de uma forma ou de outra, em maior ou menor grau. Todos veem na vaidade uma forma de alcançar alegria e ânimo para viver. Os idosos, por exemplo, hoje estão vivendo mais e melhor, e a vaidade é responsável por isso de forma relevante. Eles se cuidam mais, se preocupam mais com sua aparência, não veem a idade como empecilho para ser feliz, para amar, para admirar e ser admirado.

      A vaidade é a exacerbação de uma necessidade natural que surge da interação com as outras pessoas, cujo convívio social será aprimorado ou desestabilizado pelo julgamento alheio. Ao considerar esse fator como condicionante para a verdadeira felicidade, o indivíduo extrapola a modulação do seu comportamento e passa a ser escravo dos olhares, das impressões e das verdades impostas pela sociedade.

      Ela pode trazer danos irreparáveis ao ser humano, ao extrapolar barreiras físicas e psicológicas, delimitando seu comportamento e determinando seu senso de felicidade. A partir daí, a vaidade perde seu sentido original e transforma o homem em mero espectador de sua própria vaidade, não usufruindo dela de forma sadia.

      O homem vê na vaidade uma forma de alcançar o poder e a aceitação do outro, e isso é estimulado pela mídia, que sem escrúpulos exige que o homem se comporte de uma forma nem sempre agradável para ele, mas que lhe é importa, incutindo-lhe a ideia de que só assim ele alcançará o sucesso profissional e a aceitação da sociedade em geral. E quem não a possui, estará fadado ao anonimato, justificando, assim, sua grande importância nos dias atuais.

      Esforços quase sobre-humanos são realizados para mantê-la, em nome da valorização pessoal e do bom relacionamento social. O consumismo exagerado está intimamente ligado à vaidade do homem. Seguem-se padrões universais de beleza, priorizados pela mídia e pelos meios de comunicação em geral.

      O setor de beleza e de higiene no Brasil cresceu assustadoramente nos últimos anos, movimentando a economia de forma significativa, criando novas profissões especializadas para atender ao mundo da beleza. Ampliou-se o mercado consumidor de produtos de beleza para atender também aos homens, às crianças e aos idosos.

      A vaidade, atualmente, não é mais restrita ao mundo feminino. Há homens tão ou mais vaidosos que as mulheres. O medo do envelhecimento que afeta homens e mulheres pode justificar esse culto excessivo à vaidade. Com ao comportamento das crianças, é preciso atenção especial quando a vaidade infantil e considerada exagerada, o que pode provocar danos tanto físicos (cosméticos que causam danos à pele infantil, por exemplo) quanto psicológicos (supervalorização da beleza em tenra idade). Tudo isso, aliado à aprovação alheia, torna-se suscetível de acarretar problemas ainda mais complexos.

      Ainda não se conhecem todos os efeitos da vaidade no ser humano, mas é certo que ela provoca inúmeras doenças, como bulimia, anorexia e vigorexia. Essas doenças provocam o afastamento e o isolamento das pessoas devido ao desejo extremo de atingir um ideal de beleza construído internamente.

      Os adolescentes são os que mais sofrem com o efeito da vaidade, na busca pela imagem de alguém que eles não são nem jamais serão. A evidente importância do culto ao corpo e à estética contribuem para que os adolescentes se transformem em seres extremamente consumistas. A autonomia cede lugar à alienação, alimentada pela mídia, que os influencia de forma tendenciosa e manipuladora. Eles perdem o senso crítico, político e social, tornando-se as maiores vítimas da doença do consumismo exagerado (oneomania).

      Embora existam inúmeros efeitos negativos no que diz respeito à vaidade excessiva, quando ela se apresenta em níveis aceitáveis, pode causar alguns benefícios ao ser humano, aumentando sua autoestima, sua beleza interna e externa, e consequentemente sua saúde física e mental. Sabendo-se que ela sempre fará parte do indivíduo e sempre se manifestará de alguma forma em algum momento da vida, faz-se necessário que sua existência esteja cercada de certos limites, para que ela não domine o homem, e o torne um ser movido por suas próprias ideias e não pelas ideias ou percepções do outro.

( Regina Cláudia, Juliana, Denise e Patrícia Amoretty )

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