Pensar sobre a vaidade provoca, antes de tudo, um
questionamento pessoal. Somos vaidosos? Estamos falando do outro ou de nós
mesmos?
Em busca de uma
resposta, corro para o espelho.
Parada, atônita, olho
o reflexo com curiosidade.
É uma mancha, uma doença
ou apenas futilidade?
Minha boca coberta de
espesso batom vermelho!
Concluído, vaidosa é a mulher que usa forte maquiagem!
Não. Isto não funciona. Até porque homens não precisam usar
maquiagem para serem reconhecidamente vaidosos.
Pesquisando um pouquinho na rede, logo aparece a
modéstia:
Mário Quintana escreveu que “A modéstia é a vaidade
escondida atrás da porta” e muito antes Voltaire deu a dica de que “Toda modéstia
é falsa”.
Partindo daí, por que a vaidade fica “escondida atrás da porta” e é falsa? Será vergonha ou medo de reprovação? Temos que esconder nossa vaidade, modestamente?
Segundo Flávio Gikovate, a vaidade é o sentimento de
prestígio advindo do julgamento positivo (ou sentimento de humilhação do
julgamento negativo) que os outros
fazem de mim. Bem diferente da autoestima, um fenômeno interno, que é “o juízo
que eu faço de mim mesmo” (http://www.youtube.com/watch?v=MyrrQKgp7_I).
Mas como construímos nossa autoestima? Não é também interagindo com o outro, com o mundo? Observando, aceitando e rejeitando os julgamentos que são feitos de nós?
Chegando neste ponto, aparece a vaidade intelectual e olha
só o que falam dos poemas e também das citações!
“Será olhada com admiração quando citar ou compartilhar um
autor importante. Nesse caso, por exemplo, ela exibe poemas ao invés de jóias e
pedras preciosas.” (Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/vaidade_intelectual.htm)
Nossa, agora não há escapatória. A própria forma de construção
do texto é uma busca de admiração e aprovação! Não temos saída. O blog coletivo foi criado para isto. E como não criar
(poemas) ou citar (autores importantes) para que nossa publicação faça sentido
para alguém além de nós mesmos? Escrever baseado em nossa própria verdade apenas não é uma bruta vaidade :-)?
Depois desta pesquisa prévia, acho que sofro de
vaidade intelectual e aprofundo-me na investigação.
A vaidade presta para algo ou é vã?
***
(Juliana C.)
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