sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Somos todos humanos vaidosos?


Pensar sobre a vaidade provoca, antes de tudo, um questionamento pessoal. Somos vaidosos? Estamos falando do outro ou de nós mesmos?

Em busca de uma resposta, corro para o espelho.
Parada, atônita, olho o reflexo com curiosidade.
É uma mancha, uma doença ou apenas futilidade?
Minha boca coberta de espesso batom vermelho!

Concluído, vaidosa é a mulher que usa forte maquiagem!

Não. Isto não funciona. Até porque homens não precisam usar maquiagem para serem reconhecidamente vaidosos. 

Pesquisando um pouquinho na rede, logo aparece a modéstia:
Mário Quintana escreveu que “A modéstia é a vaidade escondida atrás da porta” e muito antes Voltaire deu a dica de que “Toda modéstia é falsa”.

Partindo daí, por que a vaidade fica “escondida atrás da porta” e é falsa?  Será vergonha ou medo de reprovação? Temos que esconder nossa vaidade, modestamente?

Segundo Flávio Gikovate, a vaidade é o sentimento de prestígio advindo do julgamento positivo (ou sentimento de humilhação do julgamento negativo) que os outros fazem de mim. Bem diferente da autoestima, um fenômeno interno, que é “o juízo que eu faço de mim mesmo” (http://www.youtube.com/watch?v=MyrrQKgp7_I).

Mas como construímos nossa autoestima? Não é também interagindo com o outro, com o mundo? Observando, aceitando e rejeitando os julgamentos que são feitos de nós?

Chegando neste ponto, aparece a vaidade intelectual e olha só o que falam dos poemas e também das citações!
“Será olhada com admiração quando citar ou compartilhar um autor importante. Nesse caso, por exemplo, ela exibe poemas ao invés de jóias e pedras preciosas.” (Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/vaidade_intelectual.htm

Nossa, agora não há escapatória. A própria forma de construção do texto é uma busca de admiração e aprovação! Não temos saída. O blog coletivo foi criado para isto. E como não criar (poemas) ou citar (autores importantes) para que nossa publicação faça sentido para alguém além de nós mesmos? Escrever baseado em nossa própria verdade apenas não é uma bruta vaidade :-)?

Depois desta pesquisa prévia, acho que sofro de vaidade intelectual e aprofundo-me na investigação.

A vaidade presta para algo ou é vã?

***
(Juliana C.)

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