terça-feira, 18 de setembro de 2012

Bate-papo - uma carreira íntima da vaidade


Aha!!! Não estou falando da carreira de modelo :-)!

No último domingo, em uma tarde ensolarada e quente, conversei com a Dra. Graciela C. de Oliveira e Silva, médica dermatologista com muitas histórias para contar. 
 Foto: http://www.unirio.br

Dra. Graciela estudou na Faculdade de Medicina da UNIRIO, onde escolheu a área de Dermatologia , graduando-se em 1974.  Em 1975, aprovada em Concurso Público Federal, iniciou sua atividade profissional no Serviço Público e paralelamente em seu consultório particular. Aposentou-se em 2011,
após 36 anos de clínica médica. Sempre gostou de trabalhar com Dermatologia Clínica, atendendo pacientes de todas as classes sociais e origens. Acompanhou, ao longo de sua carreira profissional, o surpreendente crescimento da Dermatologia Estética.

Foto:http://www.portalsaofrancisco.com.br

É nesta experiência da Dra. Graciela, que busquei algumas respostas sobre a íntima relação entre vaidade física, doenças infecciosas e o mundo do consumo.

A Dermatologia é uma especialidade clínico-cirúrgica, isto é, o dermatologista estuda para diagnosticar e tratar (às vezes realizando cirurgias), em pessoas com problemas na pele e anexos cutâneos (cabelos e unhas).  Dra. Graciela afirma que a formação universitária do dermatologista não é voltada para a Dermatologia Estética, mas atualmente é nesta área que desejam atuar grande parte dos dermatologistas. Possivelmente ocorreu uma mudança de enfoque na formação ao longo dos anos que “transformou” em doença, questões puramente estéticas. Ela atribui esta “mudança de interesse” dos médicos dermatologistas a uma questão mercadológica, já que a medicina estética possui um público com mais recursos financeiros. Falando em mercado da saúde e estética, é importante lembrar que os planos de saúde, geralmente, não cobrem tratamentos com fins estéticos, exceto em cirurgias reparadoras específicas.

Outro elemento citado como determinante nesta guinada para a estética na dermatologia foi o aumento na promoção de modelos de beleza ideais na sociedade brasileira, principalmente, nos meios de comunicação.

Foto:http://www.drjeffchandler.com
Bom, segundo a Dra. Graciela, na Dermatologia Clínica, não há um perfil restrito de pacientes e a área não é tão rentável financeiramente. Além disto, como a doutora mesmo já ouviu em encontros profissionais, há recém formados que não querem trabalhar com “pústulas ou perebas” e já seguem pela Dermatologia Estética. Ao ser questionada sobre o porquê de não ter ido para a Estética,  respondeu que sempre gostou da clínica dermatológica e estava satisfeita com seu trabalho. Não viu motivos para se especializar em outra área apenas para ganhar mais dinheiro. E complementou dizendo que existe, por parte de alguns jovens médicos (assim como de leigos), a ideia de considerar a Dermatologia como especialidade que trata de doenças “feias” e em sua maioria de pacientes pobres. Estes, naturalmente, são colega mal formados. Infelizmente, isto os leva a querer trabalhar com a beleza ou com o “querer atingir a beleza”. Nas palavras de Dra. Graciela: “Muitos esquecem que a especialidade médica chamava-se, originalmente, Dermato-Sifiligrafia, o que evidencia o nosso importante papel na Saúde Pública”.  Vale uma pausa para reflexão, não?

Foto:http://paulafisiodermato.blogspot.com.br
Sobre as questões relacionadas à vaidade, ela relatou que as doenças mais comuns que levavam os pacientes a procurá-la eram a pitiríase versicolor e a dermatite seborreica. Ambas são problemas de pele bastante visíveis e os pacientes chegavam incomodados com manchas e/ou escamações aparentes. Não era necessariamente vaidade, mas um desconforto real com a aparência. Entretanto, também atendeu, com bastante frequência, pessoas que a procuravam exclusivamente por preocupações estéticas. Após perceber os motivos que levavam estes pacientes até seu consultório e descartar a possibilidade de uma patologia associada, explicava que não atuava na área estética. Era um consultório voltado para a Dermatologia Clínica e ponto final.

Foto:http://www.medicina.ufmg.br
Já em relação ao gênero e idade do público que atendia, a doutora afirmou que até uns 10 a 15 anos atrás, apenas mulheres mencionavam questões estéticas durante a consulta. Mas nos últimos anos de consultório, observou que os homens passaram a perguntar mais sobre cremes e tratamento para calvície, por exemplo. Considera que isto se deva a naturalização do cuidado com a aparência masculina, que reduziu a “vergonha em perguntar”. Observou isto também em seus pacientes mais idosos. 

Foto: http://dicasfemininas.com.br

Mais recentemente, nos atendimentos à crianças era consultada sobre os danos de alisamento de cabelo e respondia claramente que este tipo de tratamento estético era contraindicado para crianças e dependendo do caso, até para adultos.



Imagem: http://www.dramariahelenasandoval.com.br


Resumindo, depois deste bate-papo, ficou claro que nem sempre preocupar-se com a aparência é sinal de vaidade ou futilidade. Portanto, olhem-se, admirem-se. Se achar que algo está errado, não titubeie e procure um especialista.





“A pele revela muitas doenças e não apenas doenças de pele. Há muitas patologias que apresentam sinais cutâneos, tais como sífilis, gonorreia e a Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (AIDS). A consulta a um dermatologista, em certas ocasiões, leva ao diagnóstico de patologias graves, que necessitam de tratamento prolongado e emergencial.” 

Quer saber mais sobre a dermatologia clínica e a "da vaidade"? E sobre as mudanças ocorridas nas últimas décadas?
Dê uma olhada em:
A Carreira de Dermatologista
Reflexões sobre a dermatologia atual no Brasil

2 comentários:

  1. Juliana, adorei sua entrevista. Muito show!!!
    Boa reflexão!!! Muitas pessoas acham que a dermatologia está restrita a estética e você mostrou aqui que não é bem isso. Mostrou também que se preocupar com a aparência é em certos casos cuidar da saúde. Bjs

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  2. Ahh, esqueci de me identificar. Sou eu Denise. rsrs

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