Aha!!! Não estou falando da carreira de
modelo :-)!
No último domingo, em uma tarde
ensolarada e quente, conversei com a Dra. Graciela C. de Oliveira e Silva, médica
dermatologista com muitas histórias para contar.
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| Foto: http://www.unirio.br |
Dra. Graciela estudou na Faculdade de Medicina da UNIRIO, onde
escolheu a área de Dermatologia , graduando-se em 1974. Em 1975,
aprovada em Concurso Público Federal, iniciou sua atividade profissional no
Serviço Público e paralelamente em seu consultório particular. Aposentou-se em
2011,
após 36 anos de
clínica médica. Sempre gostou de trabalhar com Dermatologia Clínica, atendendo pacientes de todas as classes sociais e origens. Acompanhou, ao longo de sua
carreira profissional, o surpreendente crescimento da Dermatologia Estética.
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Foto:http://www.portalsaofrancisco.com.br
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É nesta experiência da Dra.
Graciela, que busquei algumas respostas sobre a íntima relação entre vaidade
física, doenças infecciosas e o mundo do consumo.
A Dermatologia é uma especialidade
clínico-cirúrgica, isto é, o dermatologista estuda para diagnosticar e tratar
(às vezes realizando cirurgias), em pessoas com problemas na pele e anexos
cutâneos (cabelos e unhas). Dra.
Graciela afirma que a formação universitária do dermatologista não é voltada para
a Dermatologia Estética, mas atualmente é nesta área que desejam atuar grande
parte dos dermatologistas. Possivelmente ocorreu uma mudança de enfoque na
formação ao longo dos anos que “transformou” em doença, questões puramente
estéticas. Ela atribui esta “mudança de interesse” dos médicos dermatologistas
a uma questão mercadológica, já que a medicina estética possui um público com mais
recursos financeiros. Falando em mercado da saúde e estética, é importante
lembrar que os planos de saúde, geralmente, não cobrem tratamentos com fins
estéticos, exceto em cirurgias reparadoras específicas.
Outro elemento citado
como determinante nesta guinada para a estética na dermatologia foi o aumento na
promoção de modelos de beleza ideais na sociedade brasileira, principalmente,
nos meios de comunicação.
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| Foto:http://www.drjeffchandler.com |
Bom, segundo a Dra. Graciela, na
Dermatologia Clínica, não há um perfil restrito de pacientes e a área não é tão
rentável financeiramente. Além disto, como a doutora mesmo já ouviu em encontros
profissionais, há recém formados que não querem trabalhar com “pústulas ou perebas” e já seguem pela Dermatologia
Estética. Ao ser questionada sobre o porquê de não ter ido para a Estética, respondeu que sempre gostou da clínica
dermatológica e estava satisfeita com seu trabalho. Não viu motivos para se
especializar em outra área apenas para ganhar mais dinheiro. E complementou
dizendo que existe, por parte de alguns jovens médicos (assim como de leigos),
a ideia de considerar a Dermatologia como especialidade que trata de doenças “feias”
e em sua maioria de pacientes pobres. Estes, naturalmente, são colega mal
formados. Infelizmente, isto os leva a querer trabalhar com a beleza ou com o “querer atingir a beleza”. Nas palavras de Dra. Graciela: “Muitos esquecem
que a especialidade médica chamava-se, originalmente, Dermato-Sifiligrafia, o
que evidencia o nosso importante papel na Saúde Pública”. Vale uma pausa para reflexão, não?
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| Foto:http://paulafisiodermato.blogspot.com.br |
Sobre as questões relacionadas à vaidade,
ela relatou que as doenças mais comuns que levavam os pacientes a procurá-la eram
a pitiríase versicolor e a dermatite seborreica. Ambas são problemas de pele bastante visíveis
e os pacientes chegavam incomodados com manchas e/ou escamações aparentes. Não era necessariamente vaidade, mas um
desconforto real com a aparência. Entretanto, também atendeu, com bastante
frequência, pessoas que a procuravam exclusivamente por preocupações estéticas.
Após perceber os motivos que levavam estes pacientes até seu consultório e descartar
a possibilidade de uma patologia associada, explicava que não atuava na área
estética. Era um consultório voltado para a Dermatologia Clínica e ponto final.
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| Foto:http://www.medicina.ufmg.br |
Já em relação ao gênero e idade do público que
atendia, a doutora afirmou que até uns 10 a 15 anos atrás, apenas mulheres mencionavam
questões estéticas durante a consulta. Mas nos últimos anos de consultório,
observou que os homens passaram a perguntar mais sobre cremes e tratamento para
calvície, por exemplo. Considera que isto se deva a naturalização do cuidado
com a aparência masculina, que reduziu a “vergonha em perguntar”. Observou isto
também em seus pacientes mais idosos.
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| Foto: http://dicasfemininas.com.br |
Mais recentemente, nos atendimentos à crianças
era consultada sobre os danos de alisamento de cabelo e
respondia claramente que este tipo de tratamento estético era contraindicado
para crianças e dependendo do caso, até para adultos.
| Imagem: http://www.dramariahelenasandoval.com.br |
Resumindo, depois deste
bate-papo, ficou claro que nem sempre preocupar-se com a aparência é sinal de vaidade ou futilidade. Portanto, olhem-se, admirem-se. Se achar que algo está errado, não titubeie e procure um especialista.
“A pele revela muitas doenças e
não apenas doenças de pele. Há muitas patologias que apresentam sinais
cutâneos, tais como sífilis, gonorreia e a Síndrome de Imunodeficiência
Adquirida (AIDS). A consulta a um dermatologista, em certas ocasiões, leva ao
diagnóstico de patologias graves, que necessitam de tratamento prolongado e
emergencial.”
Quer saber mais sobre a dermatologia clínica e a "da vaidade"? E sobre as mudanças ocorridas nas últimas décadas?
Dê uma olhada em:
A Carreira de Dermatologista
Reflexões sobre a dermatologia atual no Brasil






Juliana, adorei sua entrevista. Muito show!!!
ResponderExcluirBoa reflexão!!! Muitas pessoas acham que a dermatologia está restrita a estética e você mostrou aqui que não é bem isso. Mostrou também que se preocupar com a aparência é em certos casos cuidar da saúde. Bjs
Ahh, esqueci de me identificar. Sou eu Denise. rsrs
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